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O design é de todos

Atualizado: 28 de abr. de 2023


Ouve este artigo: O design é para todos


O Design tem como função principal a supressão das necessidades de todas as pessoas, mas as soluções geralmente encontradas acabam sempre por ser projetadas para a “média” da população – jovem, com boa saúde e sem nenhuma limitação – prejudicando assim todos os que não se encaixam nesse grupo. Mas a verdade é que “todos somos diferentes” e temos necessidades diferentes.


Então isto fez-me questionar sobre a forma como é feito o design e a comunicação a nível global. E após ter assistido as palestras do Artec33 sobre o design inclusivo, comecei a ver o design com outros olhos e fiquei curiosa em saber mais sobre este tema.


Foi por esse motivo e como designer que eu decidi fazer alguma pesquisa sobre esta área do design inclusivo e mostrar alguns casos de que ainda estamos muito longe de praticar um design inclusivo.


As empresas e os designers dão a visão e a audição como algo garantido, mas infelizmente uma simples ida ao supermercado para comprar algo ou pedir ajuda num serviço público ou privado pode ser complicado para quem depende do tacto para ler uma embalagem ou de um interprete para pedir apoio.


- Segundo as estatísticas da euroblind.org, estima-se que existam mais de 30 milhões de cegos e deficientes visuais na Europ

- Os censos de 2011 apenas revelam que há 26.860 pessoas em Portugal que têm dificuldade em realizar actividades diárias devido à audição

- No daltonismo existem 350 Milhões de daltónicos no mundo segundo a Coloradd


Parece ser uma gota no oceano, mas os números e os estudos falam por si mesmo.



O que é o design global/inclusivo?


O Design Inclusivo visa desenvolver produtos e serviços que atendam diversas necessidades que as pessoas com deficiência permanente ou temporária possam apresentar, fazendo com que a experiência de utilização do produto ou serviço seja equivalente a de pessoas que não têm deficiência.


design inclusivo diagrama

"O Design Inclusivo, segundo o Design Council (2008, apud Clarkson et al., 2015), “é uma abordagem geral para a concepção de projetos em que os designers garantem que seus produtos e serviços atendam as necessidades do maior público possível, independentemente da idade ou habilidade."

Fonte: designcouncil.org.uk


Pensando nas condições específicas de cada caso, as soluções aplicadas com os princípios do Design Inclusivo aumentam a praticidade e a funcionalidade para as pessoas, promovendo autonomia, segurança e aumento da convivência delas na sociedade.


A maneira como os lugares são projetados afeta a nossa capacidade de movimento, ver, ouvir e comunicar de forma eficaz. O design inclusivo visa remover as barreiras que criam esforços indevidos e separação.

Ele permite que todos participem igualmente, com confiança e independente nas atividades quotidianas.



Quais são os principios de um design inclusivo?


Os Princípios do design inclusivo tratam basicamente de colocar as pessoas em primeiro lugar. É sobre projetar produtos pensando em necessidades específicas de pessoas com deficiências permanentes, temporárias, situacionais ou mutáveis de acordo com suas respectivas situações, ou seja, na verdade é projetar pensando em todos nós.


A ideia destes princípios é dar a qualquer pessoa - designers, profissionais de UX, conteúdistas, desenvolvedores, criadores, inovadores, artistas, pensadores... - envolvida no desenvolvimento de produtos e serviços, uma ampla visão e abordagem ao design inclusivo.


Se queres seguir os princípios estabelecidos no relatório da design council, deves ter em conta que o design deve ser:

  • Inclusivo para que todos possam usá-los com segurança, facilidade e dignidade;

  • Responsivo levando em conta o que as pessoas dizem que precisam e querem;

  • Flexível para que pessoas diferentes possam usá-los de maneiras diferentes;

  • Conveniente para que todos possam usá-los sem muito esforço ou separação;

  • Sem barreiras incapacitantes que possam excluir algumas pessoas;

  • Realista oferecendo mais que uma solução para ajudar a equilibrar as necessidades de todos e reconhecendo que uma solução pode não funcionar para todos.


As 4 fases do design inclusivo


Cada decisão de design pode melhorar ou piorar a experiência do utilizador/consumidor, isto é, para ser bem-sucedido requer uma tomada de decisão bem planeada no inicio do projecto, para se evitar custos adicionais nas alterações.


Segundo a Universidade de Cambridge através de um kit de ferramentas de design inclusivo descrevem as quatro fases principais do design inclusivo:



A "roda de design" pode ser usada para obter mais informações sobre as atividades essenciais do design e do projecto inclusivo.


Gerir: Rever as evidências para decidir “O que devemos fazer a seguir?”

Explorar: Determinar “Quais são as necessidades?”

Criar: gerar ideias para abordar 'Como as necessidades podem ser atendidas?

Avaliar: Analisar e testar os conceitos de design para determinar "Quão bem as necessidades são atendidas?"



Há soluções!


É claro que ainda há muito para fazer em termos de design global/inclusivo, no entanto já existe alguns casos de sucesso que foram implementados na sociedade e têm vindo a melhorar a vida dessas pessoas.


Case study n.º1: Coloradd

Case study n.º 2: Vibeat

Case study n.º 3: Seeing AI e Blind Tool


 

Case study n.º 1: Coloradd


O coloradd foi lançando pelo Miguel Neiva. Criou um código que está presente em mais de 90 países.


Ele trabalhou durante oito anos com 146 daltónicos de todo o mundo para criar o código.

O código da ColorADD destina-se a daltónicos e já chegou a 100 mil pessoas através das escolas. O código “único, inclusivo, universal e transversal” traduz-se na associação das cores primárias (azul, amarelo e magenta) a formas geométricas (triângulos e diagonais).


código da ColorADD

A primeira marca que o implementou foi a CIN, nas suas tintas. Seguiu-se a Viarco, dos lápis de cor. Em 2017 a Mattel dos Estados Unidos queria criar um UNO, o mais famoso jogo de cartas do mundo, inclusivo. Só no mercado americano, no primeiro ano, a Mattel aumentou as vendas em 66%. Mais de 70 canais de televisão noticiaram um produto que gerou um milhão de mensagens nas redes sociais.


ColorADD exemplos

Hoje, o código está associado a cerca de 300 empresas e entidades, públicas e privadas, bem como a produtos de vários sectores ou a 500 quilómetros de costa balnear, graças à introdução dos símbolos nas bandeiras, entre outros. O São João, no Porto, foi o primeiro hospital a usar o código na identificação dos seus circuitos. Nos transportes, há linhas de metro no Porto e de autocarros em Lisboa com o sistema que inclui quem não distingue cores. O Metro de Madrid usa a ColorADD no seu programa de acessibilidades.



E ainda desenvolveram a App ColorADD que é uma solução que promove a independência e autonomia do daltónico no seu dia a dia, e que complementa a presença do Código ColorADD em produtos e serviços.

Uma melhor experiência e perceção da cor: Comprar frutas e verduras, identificar a cor dos objetos, ou simplesmente perceber a cor do pôr do sol.

Em 2014, foi criada a ColorADD Social que organizou 260 bibliotecas municipais e escolares, fez mais de 32 mil rastreios de daltonismo no 1.º ciclo e promoveu 3000 acções de sensibilização e capacitação. Já há manuais escolares que ensinam o código em Portugal, Espanha e no Brasil. E a pedido do Ministério da Educação os exames nacionais introduziram o código.



Case study n.º 2: Vibeat


Liron Gino projetou um conjunto de dispositivos semelhantes a joias que permitem ás pessoas surdas e com deficiência auditiva experimentar música por meio de vibração.


A coleção Vibeat é uma alternativa aos fones de ouvido que apresenta colar, pulseira e pregadeira com módulos circulares presos a eles.


Vibeat pulseira

"A música é uma das formas mais profundas e primitivas de comunicação humana, e sua capacidade de transmitir emoção e expressão a torna uma ferramenta inestimável", disse Gino.

"Mas como a comunidade de surdos e deficientes auditivos pode experimentar a música, sem realmente ouvi-la?"


Liron Gino projeta dispositivo de escuta Vibeat para deficientes auditivos cada auricular se conecta à fonte de música via Bluetooth. Os motores internos dos auriculares reagem a diferentes frequências para fazer os dispositivos vibrarem em diferentes batidas.


As unidades Vibeat em forma de disco redondo podem ser soltas e anexadas a diferentes peças da coleção, permitindo que os utilizadores decidam onde querem colocar os dispositivos no seu corpo.


Colar Vibeat em volta do pescoço de uma pessoa
Vibeat Colar

O sistema também permite ao utilizador que partilhe a experiência com outras pessoas. Uma pessoa com audição também pode ouvir conectando um par de fones de ouvido.



Case study n.º 3: Seeing AI e BlindTool


"O Seeing AI dá me uma sensação de privacidade para poder classificar e ler minhas próprias correspondências sem a ajuda de amigos ou familiares", diz Kidkul.

Este é um aplicativo incrível que tem ajudado imenso a mudar a vida de pessoas cegas ou com alguma deficiência visual.

Usando o poder da Inteligência Artificial, o Seeing AI oferece soluções inteligentes para facilitar a vida de pessoas com algum problema de visão.


Com a ajuda da aplicação estas pessoas estão a começar a ter mais facilidade para entender o que está a acontecer ao seu redor. É uma aplicação gratuita que usa inteligência artificial para descrever o mundo à volta do utilizador incluindo outras pessoas.


A câmara do telemóvel serve para dizer ao utilizador a distância a que está de outras pessoas, bem como para dar uma estimativa da idade, o nome (se o aparelho reconhecer a pessoa a partir de fotografias), e uma descrição da expressão facial. Apenas disponível para iOS.



Para sistema Android existe a BlindTool que foi criado pelo cientista de computação Joseph Cohen, pesquisador da Universidade de Massachusetts.


Funciona da seguinte forma: o utilizador deve apontar o telemóvel para a sua área em redor até senti-lo vibrar. Isso significa que o aplicativo detetou um objeto reconhecível e pode verbalizar qual é.



Essa leitura de objetos tridimensionais é feita por uma rede neural artificial capaz de relacionar o que está diante da câmara do aparelho com imagens armazenadas numa base de dados, procurando semelhanças.

O BlindTool é gratuito e está disponível para sistema Android no Google Play.



O iPhone, ocupa um lugar de destaque nos produtos de apoio prescritos pela ACAPO para a inclusão laboral e social - que são pagos pelo Instituto de Emprego e pela Segurança Social. Tal recurso hoje não se fica só pela Apple. A Google ou a Microsoft já fazem um trabalho super completo para os seus utilizadores tirarem partido também destas ferramentas


O design inclusivo começa agora!


Concluindo esta pesquisa sobre o design global, podemos ver que já existem algumas soluções que ajudam o dia a dia destas pessoas a serem mais autónomas.


Contudo ainda existe muito trabalho para ser feito. Infelizmente nem todas as pessoas sabem usar as tecnologias, nem todas as pessoas sabem ler em Braille ou entendem a língua Gestual.


Existem pessoas que são formadas nestas áreas para dar apoio, mas não são o suficiente para colmatar as várias áreas como: eventos, palestras, hospitais…etc

É aqui que cabe ás empresas, instituições e designers criar uma ponte para unir as forças e desenvolver soluções que sejam para todos os consumidores e utilizadores.



Referências:

Kit de Ferramentas para Design Inclusivo link externo Da Universidade de Cambridge, onde é possível utilizar uma calculadora para calcular o nível de exclusão que determinadas ações promovem.


Liberatory Design Cards link externo Um material rico e útil que pode ajudar-te a "libertar" de conceitos e pré-conceitos que tenhas sobre determinados pontos em diferentes projetos


The Tarot Cards of Tech link externo Uma coleção de boas práticas para que consideras possíveis impactos ao criares produtos e serviços.


Guia WCAG link externo Guia de consulta rápida para as Diretrizes de Acessibilidade para o Conteúdo Web do W3C.


Centro de Design Universal da NCSU (Universidade do Estado da Carolina do Norte) link externo Literalmente onde tudo começou, onde a primeira versão dos princípios do Design Universal surgiu.


É uma plataforma internacional única para diferentes organizações com um objetivo comum: uma Europa mais inclusiva para todos.




Permite ao daltónico identificar as cores





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